terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Doença de Machado-Joseph e as pesquisas na Alemanha

Tradução por Dr. Danilo Defins 

As doenças neurodegenerativas representam um dos maiores desafios para nossa sociedade em envelhecimento. Além disso, a pesquisa com estas doenças é particularmente difícil de ser realizada devido à limitada disponibilidade de tecido cerebral humano. Porém, os cientistas do Life & Brain Research Center and Neurology Clinic of Bonn University descobriram um “atalho”: reprogramaram células da pele de pacientes com distúrbios hereditários do movimento e as transformaram nas chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (células iPS) e obtiveram células nervosas funcionais a partir delas. Posteriormente decodificaram como a doença aparece. Seus resultados foram publicados no periódico especializado Nature. O estudo atual da chamada doença de Machado-Joseph está no centro de pesquisa de Bonn.
A doença é um distúrbio de coordenação do movimento, que foi originalmente descrita em habitantes dos Açores descendentes de portugueses e que representa hoje a ataxia cerebelar hereditária dominante mais frequente na Alemanha. A maioria dos pacientes desenvolve anormalidades da marcha e uma série de outros sintomas neurológicos entre os 20 e 40 anos de idade. A causa da doença é uma sequência recorrente genética no gene da ataxina-3 que leva à aglutinação das proteínas correspondentes e, como resultado, as células nervosas do cérebro são eventualmente danificadas. Até agora, não ficou claro por que a doença só afeta as células nervosas e como a aglutinação anormal da proteína é acionada. “Arriscando” a partir de amostras de pele de pacientes. A fim de estudar o processo da doença em um nível molecular, os cientistas que trabalham com o pesquisador de células-tronco, o Prof. Dr. Oliver Brüstle do Instituto de Neurobiologia Reconstrutiva na Universidade de Bonn, inicialmente produziram as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (células iPS) a partir de pequenas amostras de pele de pacientes. Essas células-tronco pluripotentes induzidas são as células que foram devolvidas a um estágio indiferenciado muito precoce. Isto feito - uma vez conseguido - pode ser multiplicado em um grau quase ilimitado e amadurecer em todas as células do corpo. Na próxima etapa, a equipe de trabalho com o Prof Brüstle converteu as células iPS em células-tronco cerebrais a partir das quais foram capazes de desenvolver células nervosas muito necessárias para suas pesquisas. Em particular: como as células nervosas vêm dos próprios pacientes, têm as mesmas alterações genéticas e, portanto, podem servir como modelo celular da doença. "Este método permite pesquisar a doença nas células que estão realmente afetadas e que de outra forma não poderiam realizar - quase como se tivessem colocando o cérebro do paciente no prato de cultura de células,” diz o Dr. Philipp Koch, um colega de longo tempo do Prof. Brüstle e um dos principais autores do estudo. Junto com seu colega, Dr. Peter Breuer da Clínica de Neurologia e Policlínica da Universidade Medical Center de Bonn, Koch estimulou eletricamente as células nervosas criadas artificialmente. Ao fazer isso, os pesquisadores foram capazes de mostrar que a formação dos agregados de proteína está diretamente relacionada com a atividade elétrica das células nervosas. "A enzima calpaína desempenha um papel fundamental nisto; a calpaína é ativada pelo aumento do teor de cálcio nas células nervosas estimuladas", diz o bioquímico Breuer. "Esse mecanismo recentemente identificado explica por que a doença só afeta as células nervosas", aponta o Prof. Brüstle.
Reprogramando células nervosas como objetivo do estudo de drogas. "O estudo ilustra o potencial que este tipo especial de células-tronco tem para a pesquisa de doenças neurológicas," diz o professor Dr. Thomas Klockgether, Diretor Clínico do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas (DZNE) e Diretor da Clínica de Neurologia da Universidade de Bonn, cuja equipe colaborou estreitamente neste estudo com os cientistas que trabalham com o Prof Brüstle. Para o Prof Brüstle, este é motivo suficiente para contemplar as novas configurações: "Precisamos de departamentos interprofissionais nos quais os cientistas da biologia de células-tronco e pesquisa de doenças moleculares trabalhem juntos lado a lado." O Prof. Dr. Pierluigi Nicotera, presidente científico e executivo-chefe da DZNE, concorda: "O DZNE está muito interessado em acordos de cooperação. Como as células-tronco reprogramadas têm um enorme potencial para a compreensão da patologia de doenças neurodegenerativas." Como passo seguinte, o Prof Brüstle e seus colegas da Life & Brain querem usar células nervosas reprogramadas para o desenvolvimento de substâncias ativas para o tratamento de doenças neurológicas.



Universität Bonn. "Researchers decode a puzzling movement disorder." ScienceDaily, 24 Nov. 2011. Web. 21 Dec. 2011.

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